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Que perfil de bispo procura Leão XIV? O prefeito Iannone responde
Cidade do Vaticano17 luglio 2026

Que perfil de bispo procura Leão XIV? O prefeito Iannone responde

O prefeito do Dicastério para os Bispos concedeu uma extensa entrevista ao semanário católico Glas Koncila. Das nomeações episcopais à sinodalidade, passando pelos sacerdotes que recusam a nomeação para o episcopado.

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No final de maio, o arcebispo Filippo Iannone, prefeito do Dicastério para os Bispos, presidiu, em Zagreb, à solene celebração eucarística em honra de Nossa Senhora da Porta de Pedra, padroeira da capital croata, conduzindo depois a tradicional procissão pelas ruas do centro da cidade. No dia seguinte, proferiu uma lectio magistralis na Universidade Católica Croata, por ocasião do vigésimo aniversário da sua fundação. Durante a estadia na capital, o carmelita napolitano concedeu ainda uma extensa entrevista ao semanário católico Glas Koncila: a primeira desde que Leão XIV o chamou a suceder-lhe à frente do Dicastério responsável por acompanhar a escolha dos candidatos ao episcopado em grande parte do mundo.

Um Dicastério ao serviço do Papa e das Igrejas particulares

Iannone começa por descrever as competências do seu Dicastério: a ereção, a vida e a atividade das dioceses, a escolha dos candidatos ao episcopado a apresentar ao Papa e o ministério dos bispos nas respetivas Igrejas. Tudo isto, sublinha, segundo o princípio da interdicasterialidade estabelecido pela Praedicate evangelium, que exige a colaboração com os outros organismos da Cúria Romana, desde o Dicastério para o Clero ao Dicastério para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica. O prefeito recorda que a autoridade do Dicastério reside na Assembleia Plenária dos seus membros, nomeados pelo Papa, cabendo-lhe a ele, com a colaboração do secretário, assegurar a atividade ordinária. Evoca também uma das novidades introduzidas por Francisco e entretanto incorporada na legislação: os membros dos Dicastérios podem ser sacerdotes, religiosos e leigos, homens e mulheres, sem distinção.

Quanto ao volume de casos a tratar, com membros e processos distribuídos por todo o mundo, a resposta é quase lapidar: o Dicastério conta com os núncios apostólicos, «que conhecem bem a realidade das Igrejas locais».

A quem observa que cargos como o seu - e, antes dele, o de prefeito do Dicastério para os Textos Legislativos - podem parecer ao fiel comum realidades elevadas e distantes, Iannone responde invertendo a perspetiva a partir do interior: qualquer fiel pode dirigir-se ao Papa ou a um Dicastério, e ele próprio recebe numerosas cartas de fiéis que assinalam problemas na vida das dioceses. O Dicastério procura determinar se essas informações têm fundamento ou se resultam de incompreensões e, no primeiro caso, intervém «para restabelecer a serenidade na vida da comunidade». O mesmo, recorda, acontecia no Dicastério para os Textos Legislativos, ao qual pessoas e grupos recorrem quando consideram ilegítimas determinadas intervenções normativas dos bispos diocesanos.

O sucessor do prefeito que se tornou Papa

Há um dado singular que atravessa toda a entrevista: Iannone sucedeu no cargo àquele que hoje é o Sumo Pontífice. A nomeação, confidencia, foi «inesperada, emocionante», acompanhada por aquele sentimento de inadequação que, afirma, todos experimentam perante missões semelhantes. O facto de o então cardeal Robert Francis Prevost ter dirigido o Dicastério durante alguns anos representa, na sua opinião, uma vantagem: o rumo já está traçado, e prosseguir por esse caminho torna a missão mais fácil, também graças ao diálogo regular entre o prefeito e o Papa.

Que bispo procura hoje a Igreja? Iannone explica que Leão XIV, nos encontros quotidianos e reservados com cada prelado, bem como nas reuniões com grupos de bispos, indica as prioridades pastorais do momento, desde a evangelização ao cuidado da criação, e reafirma as características fundamentais da vida episcopal: o cuidado da vida interior, a oração, o acolhimento, a disponibilidade para colaborar e a atenção aos mais desfavorecidos. O modelo essencial, porém, continua a ser «sempre e em todos os tempos Cristo, o Bom Pastor».

Sobre o risco de fechamentos autorreferenciais no interior da Igreja, o prefeito recorda o recente encontro do Papa Leão com associações e movimentos: cada grupo deve considerar-se parte de um corpo, e não a sua totalidade. A diversidade é uma riqueza quando se conjuga com a atenção à unidade; quando se fecha sobre si própria, «torna-se um mal e faz mal à Igreja».

Cabe precisamente ao bispo, «pai de toda a comunidade», promover as relações e, quando necessário, corrigir aqueles que delas se afastam. Iannone inclui esta capacidade entre os requisitos mais importantes para um candidato ao episcopado.

Igreja universal e Igrejas locais: a bússola de Agostinho

Questionado sobre a tensão entre a dimensão universal e a dimensão local da Igreja, tornada particularmente atual pelos pedidos para que sejam atribuídas mais competências às Igrejas particulares, o prefeito regressa ao Concílio Vaticano II: a Igreja universal está presente nas Igrejas particulares e provém das Igrejas particulares, sem ser a soma delas.

Uma Igreja particular, explica, é Igreja na medida em que vive em comunhão com as outras; quando se afasta dessa comunhão, deixa de ser a Igreja de Jesus Cristo, que subsiste na Igreja Católica, governada pelo colégio dos bispos, com o Papa à cabeça.

Para explicar a relação com as tradições locais, Iannone recorre ao princípio atribuído a Santo Agostinho: «In necessariis unitas, in dubiis libertas, in omnibus caritas». Unidade no núcleo essencial da fé, da disciplina e dos sacramentos; liberdade nas formas de concretização; caridade em tudo.

Não por acaso, observa, as conferências episcopais dispõem hoje de um campo de atuação muito mais amplo do que no passado. É igualmente clara a resposta à alegada tensão entre sensibilidades democráticas e o princípio hierárquico e sacramental do munus episcopal: aplicar à Igreja categorias próprias da política «é equívoco», porque a Igreja tem uma natureza diferente.

Isso não significa fechar-se. O Concílio reafirmou que cada batizado é responsável pela vida da Igreja e pelo apostolado, e aqueles que a governam em virtude do Sacramento da Ordem devem permitir que os fiéis exerçam essa responsabilidade através dos organismos previstos, desde os conselhos pastorais aos conselhos para os assuntos económicos. «Neste domínio, estamos todos a caminho», admite o prefeito.

Os sacerdotes que recusam o episcopado

Uma das passagens mais significativas da entrevista diz respeito aos sacerdotes que recusam a nomeação episcopal. Iannone explica que aumentaram as responsabilidades que recaem sobre um bispo, que a vida das dioceses se tornou mais complexa, que faltam vocações e que alguns sacerdotes simplesmente não se sentem preparados. «É um facto que há sacerdotes que não aceitam», reconhece.

Daí o apelo a superar a ideia do episcopado como uma simples honra. Também o bispo é um ser humano, com momentos de desânimo e dificuldades nas relações. A crítica é legítima quando erra, mas não pode ser a única atitude: é necessário ajudar os bispos e, sobretudo, rezar por eles.

Quanto à sinodalidade, o prefeito adverte contra a sua redução a uma reivindicação de direitos, já previstos, aliás, no Código. Sinodalidade significa «sentir-se parte de um todo e assumir a responsabilidade por ele»: o peso da diocese não recai apenas sobre o bispo, mas sobre todos os fiéis.

E quanto mais uma pessoa vive a fé e participa na vida da comunidade, mais relevante se torna a sua voz, porque fala a partir de dentro e não de forma superficial.

A entrevista termina com um olhar sobre a Igreja croata, que Iannone visita pela primeira vez: uma Igreja que, depois dos anos de sofrimento vividos no passado, está a percorrer um caminho fecundo de crescimento das comunidades e de corresponsabilidade dos fiéis. E que, pelo menos em Zagreb, conta com numerosas vocações, sinal de vitalidade para a Igreja e para as suas comunidades.

s.F.V.

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