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Bispo de Portalegre-Castelo Branco: «Os movimentos xenófobos são profundamente anticristãos»
Igreja Católica26 de agosto de 2026

Bispo de Portalegre-Castelo Branco: «Os movimentos xenófobos são profundamente anticristãos»

Em Fátima, D. Pedro Fernandes afirmou que o etnocentrismo e a hostilidade contra minorias e migrantes são incompatíveis com o Evangelho, a tradição católica e o cristianismo.

Fátima - «Profundamente anticristãos». D. Pedro Fernandes, bispo de Portalegre-Castelo Branco, não usa meias palavras ao falar dos movimentos ligados ao recrudescimento do etnocentrismo, da xenofobia e da agressividade relativamente às minorias e, em particular, aos migrantes.

O prelado português interveio no primeiro dia da edição de 2026 do Curso de Missiologia, organizado nas instalações dos Missionários da Consolata, em Fátima. O curso começou na segunda-feira, 24 de agosto, e decorre até ao dia 29. Fernandes começou por pedir que, dentro da comunidade cristã, exista consciência da natureza destes fenómenos. Todos os movimentos ligados ao «recrudescimento do etnocentrismo, da xenofobia e da agressividade relativamente às minorias e, particularmente, aos migrantes», afirmou, são «profundamente anticristãos, e é importante que haja consciência disso».

Pouco depois, o bispo tornou ainda mais explícito o seu juízo, referindo-se a «movimentos etnocêntricos, incompatíveis com o Evangelho, com a tradição católica e com o cristianismo». Na sua intervenção, Fernandes procurou também identificar o que favorece o aparecimento e a difusão destas reações. Segundo o bispo, estes movimentos «são filhos do medo da desestruturação, de alguma desorientação cultural e civilizacional, de mudanças profundas, que nos deixam sem pé e que nos fazem procurar, nas nossas seguranças, aquele sentimento de preservação e de garantia que nos está a faltar, porque tudo muda e a gente não sabe onde se agarrar».

São mudanças que, explicou, podem deixar as pessoas sem pontos de referência e levá-las a procurar nas suas próprias seguranças uma forma de proteção: «Tudo muda e a gente não sabe onde se agarrar», observou o prelado. O raciocínio apresentado em Fátima parte, portanto, do medo. Fernandes não o invoca para justificar a xenofobia, mas para descrever o terreno em que podem crescer atitudes de fechamento. As sociedades, afirmou perante os participantes no curso, «estão a viver estes processos difíceis, de alguma disrupção que, no fundo, as empurra para o medo do outro e para o fechamento em si».

As palavras assumem um significado particular também pelo lugar e pelo público a quem foram dirigidas. A escutar o bispo estavam seminaristas, religiosos e leigos provenientes de diferentes países. O Curso de Missiologia, realizado em Fátima desde 1992, destina-se à formação missionária e reúne pessoas com histórias, culturas e origens diferentes.

Foi precisamente essa composição que Fernandes apresentou como um exemplo concreto. O missionário, segundo o bispo, pode tornar-se no mundo um «sinal da integração da diferença, com a capacidade de caminhar com a diversidade e na diversidade». O prelado convidou então os participantes a olharem à sua volta. No grupo, observou, estavam presentes pessoas de muitas nacionalidades e origens: «Olhemos para este grupo aqui… Não sei quantas nacionalidades estão presentes, mas visualmente percebe-se que há brancos, negros, asiáticos, africanos, europeus. Há gente de diferentes sensibilidades, com diferentes histórias e percursos».

É precisamente a missão, na perspetiva apresentada pelo bispo de Portalegre-Castelo Branco, que confronta o cristão com a diferença. O encontro com o outro torna-se, assim, uma verificação concreta daquilo que se proclama no Evangelho: a proveniência geográfica, a origem cultural ou a condição de migrante não podem transformar-se no critério para decidir quem deve ser acolhido e quem deve ser rejeitado.

Fernandes optou por situar o tema numa reflexão mais ampla sobre as transformações culturais que atravessam a Europae as sociedades ocidentais. A sua intervenção não reduz o fenómeno xenófobo a um slogan político nem aponta partidos ou movimentos específicos. O juízo expresso incide, antes, sobre o princípio que está na base do etnocentrismo e da hostilidade em relação a quem é visto como estranho. Daí a opção por recorrer a categorias diretamente religiosas: não apenas um comportamento socialmente problemático ou politicamente discutível, mas algo que o bispo considera incompatível com o próprio cristianismo.

O Curso de Missiologia prossegue em Fátima até sábado, 29 de agosto. A edição de 2026 dá continuidade a uma formação iniciada há mais de trinta anos e destinada àqueles que serão chamados a exercer o seu ministério em países, culturas e comunidades diferentes. E foi precisamente diante de uma sala composta por pessoas de várias nacionalidades que Pedro Fernandes apontou, na capacidade de conviver e caminhar com a diversidade, um dos sinais que a missão cristã é chamada a oferecer.

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