Esta manhã, no Palácio Apostólico do Vaticano, o Santo Padre Leão XIV recebeu em audiência uma delegação do Ordinariato Militar para Portugal, que veio a Roma para assinalar três efemérides ligadas à história da instituição: os sessenta anos da ereção do Vicariato Castrense, a 29 de maio de 1966; a passagem, como recordou o próprio Pontífice, à designação de Ordinariato Castrense; e os vinte e cinco anos da nomeação do primeiro bispo próprio da estrutura, separada desde 2001 da sede patriarcal de Lisboa.
A delegação foi acompanhada pelo bispo Sérgio Dinis, à frente da Diocese das Forças Armadas e de Segurança portuguesas desde fevereiro de 2025. Sucedeu a Rui Valério, depois de este ter sido nomeado Patriarca de Lisboa.
Antes de abordar o tema da audiência, Leão XIV quis recordar «à luz de Cristo Ressuscitado» dois jovens militares do Exército que perderam a vida «na passada sexta-feira» quando pararam numa estrada para prestar auxílio. O Papa referia-se à tragédia de 21 de agosto, na autoestrada A1, junto à área de serviço da Mealhada, no concelho de Cantanhede: Francisco Oliveira, de 21 anos, natural de Águeda, e Pedro Gonçalves, de 22 anos, de Torres Novas, ambos do Regimento de Engenharia de Tancos, foram atropelados por um automóvel quando sinalizavam um veículo pesado imobilizado na faixa de rodagem devido ao rebentamento de um pneu. Leão XIV comparou o gesto dos dois ao do «bom samaritano» e confiou-os ao Senhor, juntamente com as suas famílias.

Dirigindo-se aos capelães, Leão XIV recordou a missão que a Igreja lhes confia: acompanhar o crescimento espiritual dos militares e dos polícias portugueses - do Exército, da Força Aérea, da Marinha, da Guarda Nacional Republicana e da Polícia de Segurança Pública -, «escutai-os, iluminai-os com a sabedoria da Palavra de Deus» e permanecer ao seu lado na celebração dos Sacramentos, sem esquecer as respetivas famílias. Deste ministério, acrescentou, resultam tanto o crescimento pessoal de cada um como o fortalecimento do esprit de corps das Forças Militares e de Segurança.
No centro do discurso esteve a figura do centurião de Cafarnaum, narrada no Evangelho de Mateus. Leão XIV retomou o episódio evangélico para apresentar a quem exerce funções de comando um modelo de fé: o centurião, habituado a dar ordens - «digo a um: “Vai”, e ele vai; a outro: “Vem”, e ele vem» -, reconheceu em Jesus uma autoridade superior à sua, declarando-se «não digno» de que o Senhor entrasse debaixo do seu teto. Uma fé que Jesus, segundo o relato evangélico, não tinha encontrado em mais ninguém em Israel. Para o Papa, é essa mesma capacidade de conjugar «a força da fé e a coragem da humildade» que hoje é pedida a quem veste uma farda.
A este exemplo, Leão XIV juntou a exortação de São Paulo aos Efésios, convidando os presentes a «tornai-vos fortes no Senhor» e a revestirem-se, como de uma armadura, tendo «cingido os vossos rins com a verdade» e «vestido a couraça da justiça». O Pontífice relacionou estas palavras com a missão quotidiana de defender a soberania nacional e o Estado de direito.
Leão XIV encerrou a audiência confiando os militares e os capelães portugueses a Nossa Senhora de Fátima, «nas diversas missões, tanto em Portugal como no estrangeiro», antes de conceder a bênção apostólica.



